Domingo, 27 de Maio de 2012

Conversas com o Papalagui (64)


- As exigências de habilitações  académicas para exercer uma profissão  em Portugal estão cada vez mais elevadas, tuga!
- Porque dizes isso, Pa?
- Porque profissões onde antes se podia trabalhar com habilitações mínimas, agora exigem licenciatura…
- Dá lá um exemplo…
- Li no jornal “ Advogada faz assaltos com namorado”; “ Médica assalta ourivesaria”; “Juiz rouba dois penalties ao Benfica"…

Blog da semana

O que preferem? Doce ou Travessura? A autora do blog é mais especialista em travessuras e eu gosto.
Por isso, Doce ou Travessura é o blog da semana

Santa Zita cheia de graça


Do PCP à Opus Dei, com escala no PSD.
Um dia destes ainda vai a Fátima a pé e acaba num Convento a fazer docinhos para o cardeal patriarca...

Le premier bonheur du jour

Querem fruta fresquinha para o pequeno almoço? Esta vietnamita providencia. A preços módicos.
Tenham um bom domingo.

Sábado, 26 de Maio de 2012

Biclas


Em Copenhague, cidade pobre, as pessoas andam de bicicleta nas ruas. Têm pistas próprias mas não  precisam de percursos alternativos, nem gradeamentos para os separar dos automóveis, porque cada um sabe cumprir o seu papel...

  Em Lisboa, cidade rica, não faltam  ciclovias, protegidas por gradeamentos ou blocos de cimento, para que os automóveis não invadam o espaço destinado às bicicletas. Só é pena estarem  neste estado...
 ... ou às moscas!

A gravata





O presidente da ERC, Carlos Magno, gostou imenso da gravata que o ministro Miguel Relvas levou à audição. Disse-o, ficou gravado. E esse facto, tão simples como elucidativo, é uma pressão que fica a pairar sobre as conclusões deste processo.
( João Marcelino no DN)


Se a este facto, juntarmos o comunicado da ERC, sobre os comentários dos leitores do DN, ainda ficamos mais esclarecidos.
Mas, ao fim e ao cabo, não há novidade nenhuma. As pessoas que  mentem sob juramento e as que não as demitem por esse facto, correm para debaixo das saias (ou agarram-se às calças) de quem pensam ter o dever de os proteger.
O  importante é nunca esquecer isto: Está provado que Relvas mentiu  sob juramento.  O PM disse há duas semanas que, quem mentisse, saía do governo. Passou uma semana e o PM continua a assobiar para o ar. 
Perante tanta falta de vergonha , para quê preocuparmo-nos com os gostos de Carlos Magno?


Humor fim de semana


Um médico, em Dublin, queria DESCANSAR  e ir pescar.

Então aproximou-se do seu assistente e disse-lhe:
- Murphy, amanhã vou pescar e não quero fechar a clínica. Acha que consegue cuidar dela e de todos os pacientes?
- Sim, senhor! - respondeu  Murphy.
O médico foi pescar e voltou no dia seguinte.
- Então, Murphy, como correu o dia?
- Cuidei de três pacientes. O primeiro tinha uma dor de cabeça e, então, eu dei-lhe paracetamol.
- Bravo, meu rapaz .
- E o segundo? - perguntou o médico.
- O segundo estava com uma ressaca e eu dei-lhe Guronsan- informou Murphy.
- Bravo, bravo! Você é bom nisso... E o terceiro? - perguntou o médico.
- Bom, doutor, eu estava sentado aqui e, de repente, abriu-se a porta e entrou uma linda mulher. Ela arrancou a roupa, despiu tudo, incluindo o sutiã e as cuequinhas. Depois deitou-se sobre a marquesa,abriu as pernas e gritou:
-AJUDE-ME, pelo amor de Deus! Há cinco anos que eu não vejo homem!?
- Nossa Senhora, Murphy, o que é que você fez? - perguntou o médico.
- Eu pus-lhe gotas nos olhos, doutor!

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

O fabuloso destino de Amélia

Diogo, Manuel e Rebeca foram os  protagonistas de uma  saga rocambolesca que animou a semana blogosférica. Mesmo no final, ficamos a saber que afinal um deles tem  dupla identidade e usa nome de código, mas não é para enganar as secretas...

Diga à gente, diga à gente, como vai este país

 António José Seguro:
Diga aos portugueses se não tem vergonha de apoiar um governo como este, a pretexto de defender o interesse nacional.
Diga aos militantes do PS por que razão fugia de Sócrates como o diabo da cruz e agora trata este governo com tanto desvelo e ternura.
Só encontro uma alternativa: ou é ingénuo, ou parvo! Seja qual for a resposta, faça um favor ao país e ao PS. Dê meia volta, pire-se e deixe  o PS seguir o seu caminho.
 Se não tem coragem de os enfrentar, alie-se a eles, mas desampare a loja e deixe que os militantes do PS façam uma limpeza no Largo do Rato.

O Monte dos Vendavais

Aos poucos, as coisas começam a tornar-se mais claras.  O gabinete do Relvas é um vespeiro de intrigas, onde  os assessores se comportam como um grupo de coscuvilheiras, mas isso não é novidade, para quem conhece alguns dos protagonistas na vida real.
Se Pedro Passos Coelho não demite imediatamente o ministro, depois de saber também destas relações e omissões é lícito perguntar:  que forças o impedem de o fazer? Estará também ele nas mãos de Relvas, impedido de agir, para que não lhe caiam pedras em cima do telhado?
 É,no mínimo, estranho, que Relvas afirme que só esteve com Silva Carvalho uma vez e este trate o ministro por tu, como revelam os SMS. 
Será inocente recrutar para o gabinete jornalistas com aquelas ligações? No vespeiro campeia a mentira, quiçá orquestrada por  alguns jornalistas que o integram  e certamente o aconselham a agir.
Na demissão de Adelino Cunha  não se trata de saber se foi o elo mais fraco a cair. Trata-se de saber até onde chegam as ramificações dentro do gabinete de Relvas. E não só..
Esta notícia sobre o Monte Branco pode, eventualmente, ser esclarecedora.

10 razões que me impedem de acreditar em Miguel Relvas



O “Público” veio, finalmente, esclarecer os seus leitores sobre o caos Miguel Relvas. Mais vale tarde do que nunca, mas  é bom lembrar que se não fosse o Conselho de Redacção, talvez  a direcção do jornal optasse por deixar cair o caso no esquecimento.
Devo dizer que o esclarecimento do jornal, em duas páginas, me esclarece pouco  e não mudou a minha opinião. Nenhum dos 10 pontos em que me sustentava  para duvidar de Relvas, sofreu qualquer alteração depois de ler o esclarecimento do “Público”. Por isso, aqui os enuncio:
1- Ter-se recusado a prestar esclarecimentos na AR, ao contrário do que fez aquando do caso das secretas, onde foi o primeiro a pedir para ser ouvido; 
2- A irritação perante a pergunta da jornalista que apenas pretendia esclarecer uma incoerência entre a realidade dos factos e as declarações que fizera na AR sobre a sua relação com Jorge Silva Carvalho: “ Se só conheceu Silva Carvalho em 2010, como justifica ter recebido um clipping dele sobre a visita de George Bush ao México, que ocorreu em 2007?”.  Por que razão essa pergunta foi tão incómoda para o ministro, ao ponto de o levar a telefonar directamente para a editora do jornal?
3- Ter dito, uma semana antes de ir à AR que não se lembrava de ter recebido SMS de Jorge Silva Carvalho e, na audição em Comissão, ter reconhecido que afinal os  recebera, mas os apagava;
4- Ter-se remetido ao  silêncio quando o Conselho de Redacção do Público fez o comunicado a acusá-lo de pressões inaceitáveis sobre uma jornalista, ameaçando-a de divulgação de dados da sua vida privada;
5- Não ter invocado imediatamente o direito de resposta, face às acusações gravíssimas que lhe eram feitas e, a serem falsas, constituem crime;
6- Ninguém telefona para um jornal  a pedir desculpa de algo que não fez;
7- Uma pessoa que reconhece ter-se exaltado com as perguntas formuladas pelo “Público” não pega no telefone a dizer “ continuando a haver comportamentos como este, tenho o direito de apresentar uma queixa na ERC, nos tribunais, e de eu, pessoalmente, deixar de falar com o Publico”. Não está apenas em causa o tom discursivo, absolutamente inverosímil…  Está em causa, essencialmente,  o facto de o ministro ter falado directamente com a editora e a directora  do Público. Relvas tem assessores de imprensa , bem pagos, a quem compete fazer esse trabalho. Ou ganham milhares de euros para fazer recortes de jornais, ler e escrever em blogs?;
8- O facto de ter  optado por  comunicar directamente com o jornal  tem um significado explícito e constitui, por si só, uma pressão. Principalmente, sendo Relvas  o responsável pela tutela da comunicação social;
9- Os vários antecedentes de supostas interferências  não abonam em defesa de Relvas:  Mário Crespo, Paulo Futre e Pedro Rosa Mendes;
10- A prática reiterada de gente do PSD em  utilizar a vida privada de jornalistas para fazer pressões e ameaças. ( Lembram-se do caso Branquinho/ Fernanda Câncio?).

Poderia ainda invocar o  comportamento de alguns  bloguistas que lhe são afectos. Tão preocupados com a liberdade de expressão no tempo de Sócrates, remetem-se agora a um cobarde, mas esclarecedor silêncio.
Poderia argumentar que, pertencendo Relvas a um governo onde a mentira é moeda corrente no discurso e prática política, o mais natural é que estejamos, uma vez mais, perante uma mentira de um membro do governo.
Poderia perguntar como se explica que depois de tanto ter criticado a ERC no tempo de Sócrates, chegando a considerar a entidade reguladora como uma inutilidade, venha agora depositar toda a sua confiança no seu julgamento. Sente-se confortável, porque já a domesticou, sr ministro?

Não vou, no entanto, por aí. Limito-me aos factos e a dizer que enquanto não apresentar queixa-crime contra o “Público” por difamação  e se recusar a ir à AR esclarecer todas estas questões de modo a que não restem quaisquer dúvidas, continuo a abdicar da presunção de inocência e a considerá-lo culpado.
Desculpe se me enganei mas, não raras vezes, o que parece é…

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

O que faço eu aqui?

Ao final da tarde, sentado no Rochedo, tentando proteger-me  do vento frio que me vergasta o rosto, repito a pergunta de Rimbaud, quando chegou à Etiópia: “O que faço eu aqui?” 
Por que razão me devolvi a este pais de lacaios?
Espero que uma onda me traga a resposta, porque a razão não é capaz de a dar.

E que tal afastar os coelhos da relva?

No tempo do Estado Novo, ajuntamentos de mais de duas pessoas eram considerados manifestações. A China decidiu alargar a medida a outras espécies

Agora escolha...

Depois de ler as suas declarações à saída da audição da ERC,  fiquei a pensar  que só tinha  duas opções, senhor Relvas: apresentar uma queixa-crime contra o jornal Público por difamação, ou convencer o PM a arranjar-lhe um lugarzito jeitoso noutro sítio, de modo a dar a impressão que o senhor saiu para abraçar um cargo onde  poderá servir ainda melhor o país, blá, blá, blá, fico-me por aqui porque dessas arengadas o senhor sabe muito  mais do que eu. 
Acontece, porém, que estava eu aqui no meu Rochedo a  gozar o sol quando  ouvi as declarações da Bárbara Reis  na mesma ERC
Aí fiquei a pensar que  poderia haver uma terceira via: uma acareação, para se ficar a saber quem é o Pinóquio deste filme. 

A globalização do medo



 Será o século XXI o século do medo?  Poderá estar o medo a ser utilizado para nos restringirem a liberdade, diminuir os direitos?  Será o medo capaz de  transformar  as democracias tradicionais em sociedades esclavagistas legitimadas pelo voto popular?
Uma retrospectiva dos 12 primeiros anos deste século justifica todas as interrogações.
Tudo começou em 2001 com o ataque às Torres Gémeas. Desde esse dia Bush bramiu  o papão do terrorismo e aumentaram as medidas securitárias.
 Viajar de avião passou a ser um tormento porque os aeroportos,  além de nos reterem muito para lá do que seria normal  numa época em que todos andam obcecados  com o tempo, se transformaram em  espiões dos nossos corpos e dos nossos passos.
Em terra, a Al Qaeda  passou  a estar  presente em toda a parte, qualquer sítio poderia ser alvo  dos atentados suicidas dos homens de Bin Laden. Os atentados de 11 de Março em Madrid e 7 de Julho em Londres fizeram com que o medo alastrasse e, quando parecia que as coisas poderiam acalmar, uma ameaça de pandemia  provocada por um vírus da gripe encontrado no México, deixou os cidadãos de todo o mundo em pânico.
 A gripe  A não fez mais vítimas do que uma gripe normal, mas venderam-se  milhões de  vacinas. Os beneficiários dessa  histeria colectiva, foram os laboratórios. Os cidadãos encontraram mais um motivo para o pânico nesta sociedade higienista que, curiosamente, é uma das mais letais da História.
Bin Laden, o inimigo número 1, apesar de não ser visto em público,  tinha um rosto. O vírus da gripe A não, mas era reproduzido na imprensa e nas televisões em fotogramas acompanhados de complicados esquemas analisados por especialistas, que explicavam a forma de reprodução do inimigo.
Desde 2007 – e mais acentuadamente desde 2009- um novo inimigo começou a ameaçar  o mundo, particularmente a parte ocidental do hemisfério Norte. Ninguém lhe viu o rosto, não há especialistas nas televisões  a explicarem com esquemas complicados como ele ataca, mas sabemos o seu nome: MERCADOS .
 A utilização do plural   indicia que, desta vez, o mundo está a ser atacado por um inimigo invisível que se reproduz com grande facilidade, podendo  as suas células mãe ser localizadas em Wall Street, na City, quiçá em Singapura, e as ramificações em paraísos fiscais que dão pelo nome de off-shores.  Sabido é que o vírus dos mercados ataca nas Bolsas e nos negócios ilícitos,24 horas por dia, mas ninguém o consegue apanhar. Ou melhor: não sabemos, ainda, se alguém estará interessado em apanhá-lo!
Os especialistas  da área económica e financeira desdobram-se em análises complexas, a maioria diz que a melhor forma de o extirpar é dar-lhe vitaminas de crescimento, mas a direita  não está  para aí virada e contrapõe com vitaminas de austeridade, cuja aplicação massiva definha as vítimas. Quanto aos mercados, estão cada vez mais gordos, mas ninguém parece interessado em obrigá-los a uma cura de emagrecimento.

O medo provocado por esse ser misógeno que é a crise, criada pelos mercados em reputados laboratórios financeiros, começou a ser retratado no cinema.  O primeiro filme – que acabou de estrear em Lisboa- tem por título “Procurem Abrigo”  e analisa a crise financeira a partir da visão de um paranóico. Em Cannes, Brad Pitt acaba de apresentar outro filme que aborda a mesma temática. Sob a capa de filme de gangsters, “ Killing them softly” é, ao que dizem os críticos, uma parábola sobre a crise e a incapacidade de defesa perante um criminoso que ataca à distância.
Se não for através da política e da acção cívica, que seja ao menos através do cinema que os cidadãos se consciencializem que podem fazer algo para combater o inimigo sem rosto que nos prometeu uma globalização capaz de tornar o mundo mais justo, mas nos deu apenas o aumento da miséria e das desigualdades. Porque nós deixámos que assim fosse!
Já não há tempo para termos medo! A hora é de agir.

Brincar às casinhas

Os partidos do governo e o PS andaram ontem a brincar às casinhas na AR. Como meninos bem comportados, no final trocaram beijinhos e todos regressaram felizes às suas casas. 

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Uma cliente pouco comum

Será que a lontra ia pedir que lhe baixassem o spread?
Uma coisa é certa...não foi nenhuma das que estão aqui na coluna da direita que entrou na CGD, porque essas ficaram a ler o novo episódio do Homem Rico, Homem Pobre, hoje publicado no "Crónicas on the rocks". Se clicarem na foto ela conduz-vos lá direitinhos, sem terem de passar pela casa de partida.

Se os meninos brincassem com bonecas...

Quando fossem pais talvez já  soubessem que não deviam fazer estas parvoíces.

Ora diga lá, senhor ministro!


Qual a sua estratégia para divulgar os dados da vida privada de Maria José Oliveira na Internet ?  Pedir aos bloggers  que  no tempo de Sócrates organizaram aquela manif pífia em defesa da liberdade de expressão e agora estão cobardemente calados, escrever posts  detalhados sobre a relação de MJO  com um político?
Mandar os jornalistas disfarçados de bloggers que andaram a papar jantares consigo e o PM - e agora estão escondidos em alguns gabinetes ministeriais, incluindo o seu-  divulgar nos seus blogs a informação que o senhor lhes passa e terá sido fornecida por alguns dos que consigo privam? 
Nós gostaríamos de saber, senhor ministro. Porque enquanto não soubermos, continuamos a acreditar que a sua ligação à ordem do avental pode ser bem mais perigosa do que alguma vez imaginamos e  talvez inclua pessoas que se apresentam diariamente  como impolutas.
Desembuche, senhor ministro, porque enquanto não o fizer corremos o risco de levantar suspeitas sobre inocentes.
Preste atenção às palavras de Paulo Rangel e não se refugie no apoio do seu partido que inviabilizou a sua ida à AR para prestar esclarecimentos. 
Ninguém deixará de fazer comparações entre a sua prontidão em prestar esclarecimentos no caso das secretas e a sua fuga às responsabilidades neste caso melindroso.

Bate-me, que eu gosto!




 “ Fifty Shades of Grey”, da autoria de E.L.James,  é actualmente o maior sucesso editorial nos EUA, tendo já entrado para a galeria dos  best sellers.
Convém começar por esclarecer que a  personagem central do livro (Anastasia)  é uma profissional  competente e dedicada que trabalha horas sem fim, é líder na sua empresa, toma conta dos filhos, tem um salário elevado que lhe garante independência económica  e, no final do dia, o seu prazer não é deitar os filhos e envolver-se numa cena de romântica com o seu companheiro, seja ele permanente ou apenas ocasional.  O maior prazer de Anastasia é ser chicoteada.
Livro pornográfico para homens perturbados, estarão a pensar algumas leitoras. Puro engano, minhas caras amigas…
 Segundo dados da editora, são as mulheres  quem  procura este livro com maior avidez. Mais de metade estão dessas leitoras pertence  ao escalão etário entre os 20 e os 30 anos, são urbanas e estão integradas profissionalmente.
Confesso que numa altura em que a violência doméstica ocupa o centro de muitos debates, me causa alguma perplexidade o facto de um livro onde a mulher  recorre à escravidão física para se satisfazer  sexualmente ser  um sucesso mas, pensando melhor, talvez não seja assim tão surpreendente...
Um estudo publicado na Psycholgy Today, citado pela revista 2 ( Público ao domingo)  responde parcialmente à questão: 31 a 57% das mulheres fantasiam com cenas de violação e de sexo forçado. 
“ O eros  é  um terreno onde a realidade não coincide com aquilo que dizemos”- esclarece por sua vez Daniel Berger , autor do livro “ O que  querem as mulheres” cuja publicação está prevista para 2013.
No artigo da 2- cuja leitura recomendo- são adiantadas diversas explicações para o facto de as mulheres apreciarem  estas fantasias  de submissão  e violência física muito para além daquilo que homens ( pelo menos como eu…) possam  pensar. 
É verdade que  há muitos autores, além de Sade, cujos livros têm como  tema central a submissão feminina e o masoquismo.  No entanto- e escolhendo propositadamente dois autores que estão nos antípodas da construção  literária- quer  em “A História de O” de  Anne Desclos ( escrito sob o pseudónimo de Pauline Réage), quer em “ Onze Minutos”   de Paulo Coelho, a submissão sexual e o masoquismo não são livremente assumidos pela mulher.
O que é efectivamente novo em “ Fifty Shades of Grey” é  a personagem assumir a  necessidade de ser chicoteada, para garantir  satisfação sexual.  Uma mulher afoita já não é aquela que diz ao parceiro   “Fuck me!”, mas sim a que  propõe “ I want to be your slave”.
E o que – em minha opinião-  é surpreendente, é serem a s  mulheres  ( maioritariamente entre os 20 e os 30 anos, relembro)  a fazer do livro um best seller.
Há aqui qualquer coisa que não bate certo. E o mais grave é que muito provavelmente sou eu, que há muito deveria ter esquecido tudo o que me ensinaram e pensava ter aprendido sobre as mulheres  ao longo da vida.
Como diz o povo na sua imensa sabedoria, aprender até morrer e morrer sem saber. Para início de conversa, o melhor é esquecer  romances à moda antiga,  tudo o que pensava saber sobre as mulheres e começar tudo de novo. 
É provavelmente a isso que chamam “mudança de paradigma”

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Homem rico, homem pobre!

Ao contrário do que alguns pensam, a história do Homem rico e do Homem pobre não terminou. O senhor engenheiro ( e não só) foi laurear a pevide e ainda nos reserva outras surpresas. Ora vejam lá a continuação...

Olha que geuro!

Foto presseurop:Ruben

Os economistas- que como todos sabemos são aqueles profissionais criados por Deus para dar alguma credibilidade aos meteorologistas- já arranjaram uma solução monetária para o caso de o Syriza ganhar as eleições na Grécia. Nem euro, nem dracma. A futura moeda grega deve ser o geuro. ( em inglês gieuro)
Se, como tudo indica, a medida se vier a aplicar a Portugal, a futura moeda portuguesa será o peuro ( em inglês pieuro e, como os franceses gostam de simplificar, pire). Será então caso para os portugueses dizerem quanto mais peuro ganhar, melhor?
Já nas ruas de Paris a  nova moeda lusa  suscitará interessantes trocadilhos:
-Avez vous peur(o)?
- Peur de quoi?
- D'aller  au Portugal, bien sûr!
- Oh, non, pas du tout!
-  Tant pire pour toi!
-  À cause de quoi?
-  Ils vont de mal en pis, mon ami. Il  faut avoir beaucoup de pire pour y entrer, à cause des péages...



Relvas e a sabedoria popular

Ministros a tentar pressionar jornalistas, não é novidade. Ministros a pedir desculpas por pressões que juram não ter cometido é original. Ministros que ameaçam jornalistas com revelação de dados da sua vida pessoal  são  pulhas. Logo, se Relvas ameaçou uma jornalista dizendo que revelaria dados da sua vida pessoal... é um pulha!
Numa semana apenas,  dois casos em que Relvas foi protagonista, provocaram reacções diferentes do ministro. No caso das secretas pediu para ir imediatamente ao Parlamento explicar-se, porque quem não deve, não teme. 
No caso das eventuais ameaças a uma jornalista não só foge do Parlamento, como dos jornalistas. Nunca mais abriu a boca. Branco é galinha o põe, não é verdade? Isto está tudo ligado. Basta ligar as pontas. É a vida!
Não deixem de seguir o link, para ficarem a saber como Relvas teve acesso aos dados pessoais da jornalista.

Ratinhos de laboratório





O governo está a abusar do recurso a medidas que aumentam a receita, nomeadamente através do aumento de impostos;
O governo deve racionalizar a função pública em vez de fazer cortes nos salários;
As previsões macroeconómicas do governo são excessivamente optimistas;
As reformas estruturais não estão a ser feitas; 
Os documentos orçamentais do governo estão feridos de uma pobreza de informação quantitativa.
Não são eu quem o diz, está escrito no primeiro relatório do Conselho das Finanças Públicas, que
Constituído por personalidades como a prestigiada economista Teodora Cardoso, ou o alemão Jürgen Von Hagen, o CFP arrasa por completo o optimismo desmiolado de Coelho, Gaspar e sus muchachos.
Se acrescentar que as taxas de IRS, IRC e IVA estão acima da média europeia, como salienta o Eurostat, é fácil concluir que este governo de incompetentes anda a brincar e a fazer experiências com os portugueses, como se todos fossemos ratinhos de laboratório.

À noite digo-vos por música

Há 45 anos vibrava com esta música. Obrigado, Robin!

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Licenças


Até 1970, para acender um cigarro na rua com isqueiro, era preciso pagar uma licença. Custava 10 escudos e quem fosse apanhado a usar isqueiro sem licença, pagava uma multa de 250 escudos.

A lei tinha porém um detalhe que levava muitas pessoas, como o pai de Cátia Janine, a brincar com a situação.
Como podem ler aqui 

Abril (5)- Pois, pois, Jota Pimenta!


(Continuado daqui)

A sua reacção imediata foi inventar uma desculpa e dizer a Júlio Saraiva que afinal não podia tomar café. No entanto, quando já se preparava para parar o carro lembrou-se do horóscopo que tinha lido na bomba de gasolina, enquanto esperava a sua vez:
“No plano afectivo, esta semana vai proporcionar-lhe situações que vão mexer com a sensibilidade e despertar em si o amor. Não reprima os seus sentimentos, porque o amor vai-lhe aparecer de uma forma inesperada. Aceite o desafio”.
Escolheu  uma cassette  de Joe Dassin e não mais pensou no assunto até Tomar.
No Estrelas pediu um café e um “Beija-me depressa” . Júlio acompanhou-a no café, mas optou por uma “Brisa”.
Catia Janine reparou que Júlio tinha as unhas pretas como as de um carvoeiro e, embora admitisse que isso se devia ao facto de ter estado a mexer na bateria do carro e nos cabos, não deixou de o recriminar interiormente, por não ter lavado as mãos antes de se sentar.
A conversa desenrolava-se entre banalidades como o tempo e o futebol. A determinada altura Cátia Janine puxou de um cigarro, que  Júlio  prontamente lhe acendeu com o seu Zippo.
-Ainda se lembra do tempo em que precisávamos de ter licença de isqueiro, senhora doutora? Felizmente o sr. Presidente do Conselho  acabou com isso, sempre é menos uma despesa…
-Essa licença era uma estupidez, não percebo como só  acabou em 1970!
Foi para defender a indústria nacional, senhora doutora. A Fosforeira é uma grade empresa e o dr Salazar achou por bem protegê-la…
E entretanto sempre sacava um dinheiro para os cofres do Estado.
Juntava-se o útil ao agradável. De qualquer maneira, dentro de casa não era preciso ter licença…
 Pois… debaixo de telha, como dizia a Lei! O meu pai é que brincava bastante com isso e andava sempre com uma telha no bolso. Quando queria acender um cigarro na rua com isqueiro puxava da telha e acendia. Mas um dia teve de ir responder a Tribunal e o que lhe valeu foi ter encontrado um juiz compreensivo que lhe aplicou uma pena suspensa, por desrespeito á autoridade...
Muito espirituoso o seu paizinho, senhora doutora. Se não é indiscrição, o que é que ele faz? Também é advogado?
Não, é tipógrafo. Chefe de tipografia
 Um trabalho muito bonito, sim senhora…!
 Ele gosta muito, mas às vezes tem de ficar na tipografia até muito tarde, porque aparecem uns trabalhos complicados que têm de ser entregues de noite… Olhe, se quer que lhe diga não percebo muito bem a razão de ter de entregar trabalhos durante a noite, mas há clientes que são esquisitos...
 Pois… estou a ver… e onde é a tipografia, senhora doutora?
É ali no Bairro das Colónias, perto da Almirante Reis. Porquê? 
Nada… achei curiosa essa história que contou da telha que o seu paizinho usava para usar o isqueiro…
Desculpe lá senhor Júlio, eu não queria perguntar-lhe isto, mas qual é a sua profissão?
 Trabalho no ramo imobiliário, senhora doutora. Sou chefe de vendas e agora ando a promover um empreendimento muito grande da empresa J. Pimenta. Conhece?
 Quem não conhece a J. Pimenta, senhor Júlio?
Como diz a publicidade… Pois pois, Jota Pimenta! O senhor João Pimenta é aqui do Souto, ao pé de Abrantes, e é a amigo do meu paizinho, foi por isso que fui lá parar. Aquele empreendimento na Reboleira é um luxo! Casas dignas de um ministro!
Confesso que não conheço bem a zona…
 Vai ser a cidade do futuro, senhora doutora. Acredite em mim! Devia comprar  lá uma casa…
Ainda vivo com os meus pais, mas por acaso estou a pensar alugar  um apartamento, porque  não tenho dinheiro para comprar. Tem é de ser em Lisboa, porque não quero ficar longe dos meus pais. Por acaso não sabe de ninguém que tenha uma casa, mesmo pequena e queira alugar?
 Onde é que moram os seus paizinhos, senhora doutora?
 Na Alameda das Linhas de Torres, ali ao Lumiar. 
 Eu tenho uns conhecimentos no ramo… a senhora doutora sabe como é, isto é um mercado pequeno e toda a gente se conhece…  vou falar com umas pessoas e depois digo-lhe. Quer fazer a fineza de me deixar o seu contacto?
Cátia Janine vasculhou a carteira, puxou de um cartão e entregou-o  a Júlio Saraiva.
Peço-lhe que não me ligue para casa. Ligue-me para o escritório, de preferência da parte da tarde, porque de manhã há dias em que estou a dar aulas na Faculdade.
 Muito bem, senhora doutora, pode estar descansada…
 Bem, são horas de ir andando. Daqui a nada os meus pais começam a ficar preocupados.
Despediram-se com um até breve.
O regresso a Lisboa foi conturbado. Um acidente perto do Entroncamento provocou um enorme engarrafamento e Cátia Janine decidiu parar num café para telefonar aos pais a dizer que não se preocupassem.
De regresso ao carro, pensou que com tantas invenções, alguém já podia ter inventado um aparelho que permitisse às pessoas falarem do sítio onde estivessem, sem a maçada de interromperem a viagem, entrar num café e pedir uma bebida que não lhes apetece, só para fazerem um telefonema. Riu-se da sua maluqueira e comentou com os seus botões "Qualquer dia ainda escrevo um livro de ficção científica em que as pessoas comunicam todas através de uns aparelhos sem fios...”  

( Capítulos anteriores aqui)

Feellings


Domingo atípico. Às cinco da tarde estou sentado diante do televisor para ver a final da Taça de Portugal, porque tenho um feelling: a Académica vai ganhar. Ganhou!
À noite continuo sentado diante do televisor, fazendo zapping entre os festejos de Coimbra e os Globos de Ouro, porque tenho um feelling: um dos Globos de Ouro vai ficar em casa. Ficou!
Parabéns, minha querida, estavas de arrasar! Mas não te esqueças que há mais mundo para além dos holofotes e das passerelles. 

Expliquem-me, porque sou burro...

Porque é que os líderes de todas as instituições europeias e a anorética que dirige o FMI  fazem chantagem sobre os gregos e pedem que eles votem nos partidos que aldrabaram as contas e conduziram a Grécia  a esta situação?

Aliança sino-americana

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